segunda-feira

Huambo - Antiga Nova Lisboa

Meus Caros

A minha passagem por Luanda foi de curta duração, estive lá dois dias. Não deu para ver muito, mas fiquei com uma ideia que não será talvez a cidade ideal para se viver, pois os relatos de pessoas amigas é que se perde muito tempo no transito. Além disso é uma cidade com custo de vida muito elevado, pois tudo é caro, infelizmente.
Fica como cidade de passagem entre Angola e Portugal e vice-versa. Tenho tempo de a conhecer e temos um óptimo guia para tal. O jovem Marcelino, empregado da Coba, tal como eu. É um jovem com 23 anos com esperança que o país dele ande para frente, ele representa o futuro próximo de Angola. Não me posso esquecer de como ele se referia as miúdas que conhecia, as "belas damas".
A próxima paragem a caminho do Gove seria a cidade de Huambo, mais conhecida antigamente por Nova Lisboa. A cidade que Jonas Savimbi tentara conquistar. A chegada a Huambo trazia expectativa, um susto pelo caminho pois a pista do aeroporto não é das melhores e deu-me a sensação que ao aterrar o avião ia derrapar.
A primeira paragem na cidade de Huambo e a titulo de curiosidade, já que ficava nas imediações foi ver a antiga casa de Jonas Savimbi, pelo menos o que resta dela. Ora vejam.
Sobre Huambo

O Huambo é uma cidade e município em Angola, sede da Província do Huambo. Designou-se Nova Lisboa entre 1928 e 1975. Tem 2 609 km² e cerca de 1 204 mil habitantes. É limitado a Norte pelo município do Bailundo, a Este pelo município de Tchicala-Tcholoanga, a Sul pelo município do Chipindo, e a Oeste pelos municípios de Caála e Ekunha. É constituído pelas comunas de Chipipa, Huambo e Kalima.
Durante a construção da linha da Companhia do Caminho de Ferro de Benguela, concebido para drenar os minérios da rica região do Catanga para a costa do Atlântico, estando o acampamento do Empreiteiro Pauling estabelecido cerca do km 370, começou a ser aí recebida correspondência, vinda de Inglaterra, endereçada para "Pauling Town - Angola". É necessário referir que este acampamento era na altura o único aglomerado populacional digno desse nome, que então existia na região do Huambo.

O General Norton de Matos, ao chegar a Luanda para ocupar o mais Alto Cargo da então Colónia de Angola, teve conhecimento dessa ocorrência e, para marcar bem o domínio português na Província do Huambo, deu ordem aos Correios para devolverem, com a indicação de "destino desconhecido", toda a correspondência com a direcção "Pauling Town".

Norton de Matos procurou, nos pobres mapas de então, qualquer coisa que lhe sugerisse um nome; só encontrou a referência a um pequeno Forte do Huambo (Cabral Moncada, criado por Portaria nº 431,de 20/09/1903), onde se tinham praticado feitos heróicos; este Forte situava-se próximo do km 365, do lado esquerdo da linha, a cerca de 2 quilómetros desta. Essa representação foi o bastante para lhe indicar a magnífica posição geográfica, política económica e militar do futuro Centro Ferroviário, a que deu o nome de Cidade do Huambo, por Diploma Legislativo de 8 de Agosto de 1912, que se viria a criar ao km 426. Logo a seguir à criação da cidade do Huambo, a Portaria Provincial 1086 de 21 de Agosto de 1912, proibiu a construção de casas de adobe, pau-a-pique ou outros materiais semelhantes na cidade de Huambo.


O CFB deu à estação da Caála o nome de Robert Williams, para prestar uma merecida homenagem ao Homem que concebeu e realizou todo o empreendimento que tornou possível a drenagem dos minérios do rico Catanga para o oceano Atlântico, o que só aconteceu depois de 1929, em data que não é possível precisar. O mesmo sucedeu com a estação de Calenguer, que passou a chamar-se Guerra Junqueiro por, do lado direito da linha férrea, existir um morro que parecia a estátua jacente desse poeta português.

O que posso dizer é que actualmente Huambo está em franco desenvolvimento afigurando-se como uma cidade com grande potencial no futuro. As estradas estão a ser recuperadas, os jardins começam a dar um ar da sua graça. Escolas e centros de saúde a serem erguidos. Nota-se ainda a falta de industria, melhor o investimento na industria, pois outrora Huambo era uma cidade com grandes industrias. É uma zona rica para a industria agro-pecuária. Será uma das áreas em que se deve apostar.


E que tal, é só balas.


Uma das coisas que salta mais à vista é o estado dos edifícios, grande parte ainda marcados com sinais da guerra ou não fosse a cidade de Huambo vítima de grandes combates entre a UNITA e o MPLA. Aguarda-se reabilitação.





Cenas do próximo capitulo: Estrada para o N´Gove.

sábado

Chegada a Angola

Sendo que já passaram dois meses desde que cheguei a Angola, e não tenho nada publicado aqui neste blog, achei por bem contar algumas das peripécias que já vivi até hoje.

Cheguei no dia 28 de Abril a Luanda, nunca pensei que não estivesse preparado para enfrentar a "selva" angolana, pois nasci em África e vivi cá durante 16 anos antes de ir para Portugal. E passados 16 anos regressei. Estive em Moçambique, que já conhecia e na minha terra natal, Joannesburgo no passado mês de Janeiro. Portanto sentia-me preparado para aquilo que poderia encontrar.

Não me levam a mal, chamo-lhe "selva", não tenho intenção de ofender ninguém, pois uma cidade que inicialmente estava concebida para meio milhão de habitantes e que neste momento alberga quase cinco milhões só pode dar confusão. O transito é caótico.
Para quem quiser saber um bocado mais sobre Luanda, aqui vai:

Luanda é a maior cidade e capital de Angola, sendo também a capital da província homónima. Localizada na costa do Oceano Atlântico, é o principal porto e centro administrativo de Angola. Tem uma população de aproximadamente 4,5 milhões de habitantes (estimativa da ONU em 2004).

As indústrias presentes na cidade incluem a transformação de produtos agrícolas, produção de bebidas, têxteis, cimento e outros materiais de construção, plásticos, metalurgia, cigarros, e sapatos. O
petróleo, extraído nas imediações, é refinado na cidade, embora a refinaria tenha sido várias vezes danificada durante a guerra civil. Luanda possui um excelente porto natural, sendo as principais exportações café, algodão, açúcar, diamantes, ferro e sal.

Luanda está dividida em duas partes: a "baixa" (parte velha) e a "cidade alta" (parte nova). A "baixa" fica perto do porto, tendo ruas estreitas e edifícios da época colonial. Os habitantes de Luanda são na sua grande maioria membros de grupos étnicos africanos, incluindo Ovimbundu, Kimbundu e Bakongo. Existe uma pequena minoria de origem europeia. A língua oficial e mais falada é o português, sendo também faladas várias línguas do grupo bantu.



Imagem de Marca

A imagem de marca que fica ligada a esta aventura angolana foi uma foto que tirei logo nos primeiros dias aquando da minha chegada a terras angolanas, mais precisamente no dia 02 de Maio de 2008. Esta foto foi tirada na Barragem do N´Gove (local onde me encontro a trabalhar), a cerca de 110 Km a Sul da cidade de Huambo, mais conhecida por Nova Lisboa antigamente, por volta das 18h00, pois aqui em Angola o sol nasce cedo, e cedo se põe.


É um verdadeiro hino a África.